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13 outubro, 2012


                                   

MANUAL DAS INCOERÊNCIAS

Sou incoerente! Levei um susto quando percebi essa minha faceta. Pensei e ponderei. Descobri que somos incoerentes e egoístas quando se trata das nossas vontades e necessidades. Reclamamos quando algo dá errado e nem percebemos que errado é tudo que não corresponde às nossas expectativas. Nem consideramos a hipótese de que pode ser o certo para alguém, alem de nós. E geralmente é.
Dizem:  “Deus escreve certo por linhas tortas”. Quem nunca ouviu? "Vox Populi Vox Dei". Sempre detestei clichês e olha eu aqui citando um após outro...que ironia! O fato é que comecei a respeitá-los. Comecei a observar o quanto nossas incoerências nos deixam cegos. E o resultado foi esse pequeno Manual. 
Podemos começar dizendo que...
                      

Não tem nada mais irritante do que...


...alguém do seu lado atender um celular e você ser obrigado a ouvir toda a conversa, inclusive a fala de quem está do outro lado da ligação...
...você atender o celular e ter alguém do seu lado ouvindo tudo, inclusive a fala de quem está do outro lado da ligação... 
 
...procurar a chave de casa, dentro da bolsa (só para mulheres)...
...encontrar a chave, na primeira enfiada de mão  e descobrir que pegou a chave errada... 

...tentar achar o celular dentro da bolsa, antes que pare de tocar (só para mulheres)...
...encontrar o celular a tempo de atender uma chamada e do outro lado alguém dizer “oi Beth” e o seu nome é Regina... 

...dar de cara com o (a) ex e ele (a) fazer de conta que não te conhece...
...dar de cara com o (a) ex e ele (a) te abraçar e te beijar como se fossem velhos amigos... 

...o telefone tocar na hora em que você está fritando o seu jantar...
...esperar o telefone tocar e ele continuar mudo, mudo, mudo... 

...encontrar migalhas de pão no pote de manteiga...
...cortar o pão, encher a mesa de migalhas e descobrir que a manteiga acabou...

...alguém ficar te pegando, cutucando, falando com você a menos de 5 centímetros de distância,  enquanto bate papo...
...aquele gato que você quer conquistar, dar um oi, acenando, do outro lado da avenida... 

...depois de todos os ingredientes estarem misturados na tigela, você descobre que falta um e não tem em casa...
...fazer aquela receita fabulosa, que acabou com a dúzia de ovos que estava na geladeira, e o resultado ficar intragável... 

...descobrir que está falando sozinho, há mais de meia hora, porque a ligação caiu e você não percebeu...
...ter de ouvir sua melhor amiga, se lamentando porque o namorado a deixou (todo mundo já esperava por isso). Se pelo menos, a ligação caísse... 

..sair de casa com botas de camurça e começar a chover...
...não ter uma bota de camurça, que está na última moda... 

...alguém te ceder o banco no ônibus, quando você tem só 30 anos, e ainda dizer “senhora, senta aqui”... 
...ninguém ter a delicadeza de ceder o banco no ônibus, quando você tá podre de cansada... 

...ouvir um “fica calma, relaxa!” quando você está no auge da irritação!...
...ninguém te dizer uma palavra de consolo quando você mais precisa... 

...assistir um filme de 3 horas e no final perceber que não entendeu patavina...
...não ter nenhum filme prá assistir quando tem de ficar em casa porque tá sem grana prá sair...

...encontrar a conta de luz, perdida, no dia seguinte ao vencimento...
...não encontrar a conta de luz e ter de pedir segunda via pela Internet... 

...precisar daquele documento que você guardou por 10 anos e descobrir que  jogou fora no último  surto de triagem na papelada, há apenas 2 dias...
...finalmente precisar daquele documento guardado por 10 anos, que você não jogou fora no último surto de triagem da papelada, ver que era cópia de fax e as letras sumiram... 

...visitar alguém que tem um tapete na porta dizendo “Seja bem-vindo mas limpe os pés”...
...receber uma visita, com os sapatos sujos de lama, depois de um dia inteiro limpando a casa...

...sininhos de vento, quando está ventando...
...sininhos de vento que ficam mudos porque não tem vento... 

...barulho (qualquer um) quando você quer silêncio...
...silêncio, quando você quer barulho (qualquer um)... 

...prestar um concurso público, ficar em terceiro lugar e só ter 2 vagas...
...ser aprovada em concurso público e ser chamada depois de ter arrumado um emprego muito melhor, na iniciativa privada... 

...teu chefe te mandar ao banco e chegando lá ter 30 pessoas na sua frente...
...com a senha de número 31 na bolsa, você sair prá tomar um café e na volta descobrir que seu número já foi chamado... 

...ter de escolher entre fazer um xixi ou perder o ônibus para o trabalho...
...escolher pegar o ônibus, chegar no ponto e esperar 25 minutos porque o ônibus está atrasado...

...alguém com  fones enfiados no ouvido, cara de paisagem, cantarolando uma música que você não ouve...
...descobrir que você tem 5 horas de viagem pela frente, ouvindo uma conversa chata com o cidadão ao seu lado... 

...ligar seu computador e ver que sua caixa de mensagens está vazia...
...ligar seu computador e ver que sua caixa de mensagens está abarrotada de PPS melosos... 

...acordar cedo e descobrir que não precisa ir trabalhar porque é feriado...
...dormir até tarde, porque é feriado, e lembrar que  devia acordar mais cedo para fazer seu mercado do mês... 

...encontrar aquela pessoa, que fala pelos cotovelos, e nunca deixa você falar...
...encontrar aquela pessoa, que fala pelos cotovelos, e ela te ignorar... 

...ter uma ideia original sobre um determinado assunto e não conseguir anotá-la por falta de papel e caneta...
...conseguir escrever sua ideia original e descobrir que já foi colocada em prática por 38 pessoas que tiveram a mesma ideia original... 
 
...ir ao cabeleireiro, amansar o rebelde e sair do salão com uma garoa persistente, sem guarda chuva...
... ir ao cabeleireiro, amansar o rebelde e ninguém te chamar para um programa... 

...organizar um programa para seus 10 melhores amigos, no único espaço disponível - sua varanda de frente para o mar. Começar a chover e todos se amontoarem na minúscula sala do seu apê...
 ...organizar um programa para seus 10 melhores amigos, no único espaço disponível - sua varanda de frente para o mar. Começar a chover, você recolher tudo, transferir o programa para a sala, e ninguém aparecer por causa da chuva ...
 
Sonia Rocha – Mercuriana 

01 novembro, 2010

A arte de Não Ouvir...

Quem me acompanha deve ter lido alguns textos que publiquei, de outros autores, sobre a difícil tarefa de aprender a ouvir. Veja aqui e aqui.  
Veio-me então a idéia de discorrer sobre a não menos difícil tarefa de aprender a não ouvir. 
O que me fez pensar sobre isso foi um texto que relata um diálogo de Sócrates onde ele fala sobre o Triplo Filtro: Verdade, Bondade e Utilidade. Para quem não conhece, clique aqui. 

 Tive um professor de Antropologia,( avesso a tudo que se esperava de um professor de Antropologia), que dizia: “nossos ouvidos estão na mesma direção para facilitar a saída do que entra”. Em outras palavras, o famoso dito “entrar por um ouvido e sair pelo outro”. Logicamente, referindo-se a tudo que não nos acresce conhecimento, sabedoria, evolução. 

Tudo junto e misturado, cheguei a algumas conclusões. 
- Nem sempre podemos impedir que nos falem o que não nos interessa.  
- Nem sempre é possível interromper e usar o método Socrático.  
- E, muitas vezes, o que ouvimos toma outro caminho, que não a linha reta que faria a “informação” sair pelo outro lado.  
Então, o que acontece? 
O que ouvimos pode subir ou descer. Instalar-se na razão ou na emoção. Ou pior, ficar gravitando entre as duas instâncias. Adentramos um labirinto cuja saída desconhecemos e não há nenhum Teseu, ou GPS que possa nos ajudar. Instala-se um trânsito caótico e nos vemos presos num engarrafamento sem placas indicativas. 
A isso eu chamo de “engolir sapo”. E todos sabem, sapo é um bicho venenoso. 
O que fazer? 
Procure um desvio. Olhe pro céu e elogie o sol, ou a chuva...Estoure uma bola de chiclete e peça desculpas. Pegue o celular e finja que está recebendo uma ligação de alguém que tem o plano Infinity da Tim. Saia correndo para o banheiro e demore até que a pessoa venha bater na porta prá saber se você ainda está vivo. 
Se nada disso der resultado, perca o decoro, deixe a educação de lado, tape os ouvidos (os dois) e cante...lá...lá...lá...lá...Ou, se for alguém muito importante em sua vida, dê-lhe um beijo na boca... 
Provavelmente essa pessoa nunca mais vai falar com você, mas se reincidir, envie esse texto prá ela...  
Só não esqueça de citar a fonte e a autoria... 

Sonia Rocha - Mercuriana 

29 julho, 2010

Quando o escuro fica claro

O autor desse texto é Luiz Alca de Sant'ana. Sou sua fã e quero convidar a todos que façam uma visita ao seu site. Tenho certeza que irão gostar. 
  
"Em tudo na vida aos poucos o escuro fica claro. Eis então a arte de viver: o aprendizado de se gastar o tempo de forma inteligente quenos permitindo os esclarecimentos pouco a pouco, captando uma lição especial: o conhecer modifica o conhecido. Aquilo em que pensamos hoje, em nome das alterações circunstanciais, podemos não pensar amanhã. Algo que hoje é ponto fechado, quem sabe, se abrirá numa próxima etapa da jornada. O que parece insolúvel, agora, se resolverá amanhã. Até porque, o homem é sempre maior do que as circunstâncias. Elas passam, ele segue. E quando a gente vai tendo essa noção, sem que com isso nos arrastemos na desilusão e na depressividade, diante de uma perda, de um golpe, de uma separação, de uma injustiça, sabemos que é preciso dar um tempo. Não, necessariamente, para que se volte ao estágio anterior, mas para que venha a compreensãoem alguns casos, retorne a alegria em outros ou se passe a lutar pelo que realmente vale a pena. O problema é que somos apressados, queremos tudo para ontem, forçamos nosso físico, nossa mente e, as vezes, nossa alma a brigar pelo que ainda é nebuloso. Como na natureza, tudo tem seu tempo. Ao encontrarmos uma floresta, em princípio, não captamos seus mistérios; mas, pouco a pouco, vamos descobrindo o que dizem os pássaros em seu canto, a voz do vento e o movimento das folhas nas árvores, assim como todo o traçado do caminho." 

Luiz Alca de Sant'ana  
http://www.luizalca.pro.br/index.php  

postado por Sonia Rocha
 Mercuriana

11 julho, 2010

PRIORIDADES...não deixe o melhor para depois!

Quando você está preparando uma salada de alface, quais folhas você usa primeiro? As de fora ou as de dentro, do miolo? A maioria das pessoas usa primeiro as de fora, retirando aquelas beiradas que já estão se deteriorando, guardando o miolo, para outro dia. E o que acontece? Elas vão ficar como as de fora e você nunca vai saborear as folhas mais tenras e inteiras. Já pensou nisso? O exemplo parece meio bobo, concordo. Mas me ocorreu justamente no momento em que preparava uma saudável e gostosa salada de folhas.
Se prestarmos atenção às nossas atitudes veremos o quanto deixamos o melhor para depois. Isso vale para aquela roupa linda, que compramos na expectativa de uma ocasião especial, a louça mais bonita, os cristais mais finos, guardados para serem usados eventualmente. Há até quem guarde o pedaço mais gostoso do chocolate ou deixe a última fatia do bolo para depois, sufocando a vontade de devorá-los imediatamente. Com nossas emoções, não é diferente.
Quantas vezes deixamos para “amanhã” a satisfação de nossas vontades/necessidades emocionais. Priorizamos o que nos parece ser mais importante e na maioria das vezes temos uma “boa desculpa” para agir assim. Falta de tempo, de dinheiro, trabalho a ser feito, etc..
Na verdade, o que acontece é que somos impelidos às escolhas impostas de fora para dentro. Pense um pouco... O dia está lindo, o sol convida a um passeio, seja à beira mar ou no bosque...a pé ou dando umas pedaladas, e você aí, na frente do computador terminando um trabalho. Será que protelar por apenas uma hora sua atividade à frente da telinha, vai fazer de você alguém que prefere diversão em lugar de dedicação ao trabalho? Será que uma hora de exposição ao sol, à paisagem, não vai te recarregar e te dar maior e melhor disposição para que seu trabalho seja muito mais produtivo?
Parece que não há mais tempo para se namorar, ler um livro, assistir a um filme, brincar com os filhos, levar o cão para passear, fazer absolutamente nada ou, como diz uma amiga, fazer só o que o corpo pedir? As coisas boas acabam ficando sempre para depois.
Você que está lendo esse texto pode estar discordando, dizendo a si mesmo que não é bem assim. Que sai com os amigos, passeia, se diverte...mas será que faz isso porque essa é sua prioridade? Ou faz porque é o que se espera de você? E mais, o que você deixa para depois? Se for o trabalho, sua maior fonte de prazer, que seja. Ou se prefere ficar em casa dormindo, fazendo tricô, cozinhando...que seja. O mais importante é que nossas escolhas sejam conscientes, admitidas e priorizadas.
Além desse blog, tenho outro, onde escrevo sobre Florais de Bach. Recebo diariamente pedidos de ajuda e orientação. São pessoas preocupadas com os mais variados problemas de relacionamentos, financeiros, de saúde, desemprego, etc...e o que percebo é justamente falta de prioridade no que é realmente prioritário - investir na auto-estima. São pessoas que não se priorizam, se deixam ficar sempre para depois. Mas, nossas prioridades devem se basear nas nossas reais possibilidades. Nem sempre o que queremos é o que podemos. Não adianta priorizar o que está fora do nosso alcance.
Deixo uma frase de Aristóteles, para reflexão:

“...IMPOSSIBILIDADES SÃO PREFERÍVEIS ÀS POSSIBILIDADES IMPROVÁVEIS...”

Sonia Rocha - Mercuriana

12 junho, 2010

NÃO DURMA SOBRE SEUS PROBLEMAS!


A galinha dorme sobre os ovos. O que acontece? Nascem pintinhos que mais tarde serão galinhas que mais tarde vão dormir sobre mais ovos que mais tarde.....ad infinitum...
Assim acontece quando enfrentamos problemas de relacionamento.  Dormindo sobre eles, vão se multiplicar. Por isso é importante tentar resolvê-los no momento em que surgem. Você pode estar pensando que esse  momento é o menos propício, uma vez que, geralmente estamos sob tensão.
Por um lado, isso é verdade. Mas há outro lado.
Você já tentou enxergar o outro lado? Sabe como é o outro lado?
Bem, o outro lado não é tão fácil como virar as costas, fechar a boca, deitar e dormir. Mas, certamente, é muito mais saudável.
Todo problema  envolve um conflito. Seja de opiniões, gostos, vontades. O importante é aprender como resolvê-los.
Então, aqui vão algumas dicas.
- Respire fundo algumas vezes. Isso vai ajudar a pensar antes de abrir a boca e começar a metralhar o outro com palavras agressivas. Quando agredimos, o outro se arma, e a guerra começa.
- Encare a situação como sendo única. Ataque. Sim, ataque o problema e não a pessoa.É muito comum, nesse momento, buscarmos na memória, lembranças de outras situações conflitantes e usá-las como argumento. Se adquirirmos o hábito de resolver um problema na hora em que ele aparece, não teremos munição guardada.
- Use sempre o verbo “estar”, nunca o verbo “ser”. Essa é uma situação clássica e drástica. Como se costuma dizer, errar é humano. Acertar também. Dizer ao outro que ele É de um jeito que não nos agrada é diferente de dizer que não gostamos do jeito que ele Está. O Ser é constante. O Estar é passageiro.
- Faça qualquer coisa com as mãos. Ponha no bolso, segure um objeto ( não vale atirá-lo contra o outro), invente. Dedo em  riste, jamais. Conversar não é dar bronca, cobrar ou acusar. Cruzar os braços sobre o peito também deve ser evitado. O corpo fala e vai estar dizendo...”não se aproxime, estou fechada, na defesa, e você não vai me atingir”.   
- Nunca use a ironia. Ah! Ironizar é o melhor combustível se você quiser ver o circo pegar fogo.
- Fale baixo e pausadamente. Essa é a parte mais difícil. Pratique.
-Ceder a palavra ao outro é o que vai caracterizar o diálogo. Não transforme a conversa num monólogo. Se não conseguir dar a vez, pelo menos pare para respirar. Respire profundamente e pense no que vai dizer. Enquanto isso, o outro pode se manifestar.
Estas são dicas que eu já li em muitos livros de auto ajuda.  Funcionam sim.
Se você conseguir colocá-las em prática, me avise e diga como conseguiu.
Vou ficar muito agradecida.
Sonia Rocha - Mercuriana  

07 junho, 2010

FIQUEI SEXY...genária!

No último dia 30 estreei idade, porque mulher madura não faz aniversário, estréia idade. Li isso num texto que recebi de uma amiga e achei o máximo.
 Entrei para o time da “Melhoridade, Terceira Idade, Segunda Infância, Melhorescência”, ou seja lá o nome que se dá ao grupo que, na verdade, ingressou na reta final.
Não passei por nenhuma crise. Isso aconteceu quando fiz 50. Meio século de existência pesa prá caramba.
Agora, aos 60, descobri que o melhor é relaxar e curtir.
Curtir o que?
Bem, coincidiu que no dia seguinte à minha estréia, vendi meu carro. Então, já pude começar curtindo um passeio de coletivo sem ter de pagar a passagem. Também não precisei enfrentar uma fila “kiilométrica” no banco.
Bem, se eu ainda tivesse carro, teria muitas vagas disponíveis para estacionar. Ah, também posso requerer aposentadoria. Quem sabe eu consiga continuar pagando meu plano de saúde ou até mesmo comprar um carro novo com o que vou receber do INSS.
Hum...que mais?.....................Ainda vou descobrir (se der tempo, lógico).
Tirando essas “felizes compensações” por estar envelhecendo, comecei a perceber em mim, sentimentos até então desconhecidos e a observar fatos que antes não me chamavam a atenção.
Descobri que não dá mais prá ter orgulho.
Orgulho é um dos pecados capitais e, claro, deve ser execrado. No entanto, tem um lado positivo quando se opõe à humilhação. Tudo tem dois lados (não me canso de repetir isso). Não confundir humilhação com humildade, tá. Confesso que o orgulho de ter e não aparentar os anos vividos, foi por água abaixo quando tive de provar minha idade para o motorista do ônibus. Devia ter sido o contrário mas não foi. Porque fica na gente a sensação de estar querendo se aproveitar, de estar mentindo.
E, enquanto viajava, sentada à janela, num banco reservado, olhando a paisagem, o que não era possível quando dirigia meu carro, pensei no tanto de tempo que já vivi e no pouco que me resta, considerando que tenha um final de vida natural. 
Só isso seria suficiente para me deprimir. Felizmente, o lado positivo do envelhecimento é que vem junto a maturidade trazendo uma compreensão inusitada dos nossos conteúdos internos. Não sei se vou conseguir me manter assim, pesando, medindo e ponderando meus sentimentos. Só o tempo dirá, porque sei que estou apenas no começo de uma nova jornada, não muito longa, é verdade, mas ainda assim, com novos e necessários aprendizados. Uma coisa boa que me ocorreu é que agora serei prioridade. Infelizmente essa descoberta boa não durou muito tempo porque, no banco tive de esperar minha vez. Isso me levou a observar que há uma legião de idosos, muito maior do que eu imaginava. E parece que todos estão realizando o sonho de serem “Office Boys” .
E aí, aconteceu uma coisa que, geralmente acontece quando alguém quer parar de fumar (prá todo canto que olha, tem alguém fumando)... todo lugar que eu olhava, tinha uma pessoa idosa... (ou mais).
Temos um ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente.
Temos um EI – Estatuto do Idoso.
Penso que logo deverá ser criado um ENI – Estatuto dos Não Idosos.
A verdade é que tem mais gente estreando idade do que fazendo aniversário!
E viva a sapiência! 
Sonia Rocha - Mercuriana

15 maio, 2010

TEMPESTADE DE VERÃO


O sol vermelho surgindo por detrás da montanha cobria a terra com um manto cor de rosa. O mar, muito quieto, estranhamente calmo, lembrava um espelho de cristal. O movimento das embarcações ancoradas na baía era imperceptível.
Mais um lindo dia de verão. Calorento e convidativo a um “dolce far niente” à beira mar.
A chegada de uma imensa nuvem cinza, trazida pelo vento, o ar quente e parado e a excessiva calmaria do mar prenunciavam um desfecho inesperado para aquele dia .
Ia cair uma tempestade.
E não demorou. A transformação foi rápida e violenta.
De repente a noite se instalou. A sinfonia de trovões teve início, orquestrando o mais assustador espetáculo pirotécnico que se pode imaginar. O vento, cada vez mais furioso, parecia querer destruir tudo que oferecesse a menor resistência.
Então ela caiu...Uma chuva torrencial e desorientada.
Desde menina aprendi a respeitar as forças da natureza. Respeitar e temer. Refugiava-me na cama, rezando e pedindo a todos os santos que acalmassem os elementos. Desta vez, porém, não senti medo. Uma emoção inexplicável tomou conta de mim. Descobri que uma tempestade, apesar de ser um fenômeno amedrontador, é também maravilhosa se a olharmos atenta e detalhadamente.
Do meu posto de observação pude apreciar a maluca coreografia que o vento provocava. Árvores enormes ou pequenos arbustos, transformados em bailarinos loucos e frenéticos, pareciam não se cansar. A cena, caótica à primeira vista, seguia um script e cada qual sabia o papel a desempenhar. Não havia resistência e isso era o que mais chamava a atenção. Galhos e troncos curvavam-se até um certo limite e quando estavam prestes a se quebrarem, voltavam cantando e dançando à posição original. E de novo se curvavam, agora para o lado oposto.
E as folhas.. .que valentia! 
Agarradas aos galhos balançavam perigosamente. Algumas sucumbiam . Soltavam-se e fatalmente se afogavam. Era triste vê-las carregadas para longe e depois, amontoadas e esquecidas. Mas no sacrifício, cediam lugar à folhagem nova, mais resistente, que um dia teria o mesmo fim. Era o ciclo da vida.
E tão depressa como começou, também acabou.
O sol voltou mais brilhante, como se tivesse sido purificado pela dádiva que é uma tempestade de Verão.

Sonia Rocha – Mercuriana

09 fevereiro, 2010

Mudando a música, muda-se a dança...mudam-se os dançarinos.

Você não mudou...é a mesma pessoa de sempre!
Ouse dizer isso a alguém e espere o resultado.A frase soa como uma acusação.
Vai ser uma “grita” geral. Sim, porque todo mundo acha que muda, e sempre para melhor.
É certo que estamos aqui para evoluir, o que não significa, necessariamente, mudar. É a evolução compulsória. Mas essa questão vai ficar para outra oportunidade.
As mudanças, às quais me refiro são aquelas mais mundanas, que precisamos fazer para uma melhor convivência com o nosso mundo exterior, para aprimorar nossos relacionamentos.
O exemplo mais clássico dessa situação é o casamento.
A noiva detesta mas tolera alguns hábitos do namorado, na esperança que, depois de casado, ele mude. O noivo, por sua vez, pensa a mesma coisa.
Mas as mudanças esperadas não se realizam.
Então começam as acusações e as cobranças.
Em nome da boa convivência, estamos sempre esperando que os outros mudem mas não há nada que nos faça mudar se não admitirmos que estamos errados em nossa maneira de interagir. E reconhecer nossos erros está fora de cogitação. O errado é sempre o outro.
Não nos damos conta que somos imperfeitos e qualquer mudança deve partir do reconhecimento genuíno das nossas falhas.
Quer mudar algo em sua vida? Mude a si mesmo e veja as transformações que isso vai causar ao seu redor.
O quarto do seu filho é uma desordem? Feche a porta e deixe-o viver no caos que produz. Quando ele procurar aquela bermuda que tanto gosta e não encontrar, vai sentir a necessidade de manter suas roupas no lugar.
Seu marido vive pedindo que você leve a cerveja gelada enquanto assiste ao futebol, que diga-se, você não suporta? Experimente dizer a ele que a cerveja acabou e que ele tem de ir comprar. Na próxima ida ao mercado ele vai se lembrar que não teve sua cerveja geladinha e vai tratar de providenciar.
Sua melhor amiga te liga e começa a falar dos próprios problemas sem nem ao menos perguntar se você está ocupada ou disposta a ouvi-la. Diga a ela que ligue mais tarde. É pouco provável, mas possível, que numa próxima vez ela peça licença antes de começar a desfiar o rosário das lamentações.
Claro que você terá de ser firme para conseguir manter sua posição porque vai precisar agir assim muitas vezes, até obter resultados satisfatórios.
Agora a pergunta: “Quem mudou, você ou os outros?”
A resposta é óbvia.
Todos mudaram.
É assim que funciona.
Sem cobrança, sem crítica, sem discussões...
Os exemplos que usei são simbólicos. Retratam mudanças fáceis. A fórmula, porém, se aplica a qualquer situação.
O mais importante é saber que somente a necessidade nos conduz a novos caminhos e os reajustes na rota (leia-se mudanças), devem partir de dentro para fora...
Então...você está preparado (a)?
Sonia Rocha - Mercuriana

08 novembro, 2009

Quem não sabe receber...deixa de ganhar.




O Natal se aproxima e muitos já estão pensando nos presentes.
Não vou entrar aqui, no mérito da questão principal e dizer que Natal é aniversário de Jesus e é para o aniversariante que devíamos dar presentes.
Tudo bem. O costume de trocar presentes já é uma tradição e quase uma obrigação.
Dar e receber presentes é sempre prazeroso.
Será?
Eu não afirmaria isso com muita convicção. Se, por um lado, tem pessoas, para as quais é fácil escolher um presente, por outro, tem aquelas que nos fazem sentir incapazes de descobrir algo que possa agradá-las. Poderíamos situar a facilidade ou dificuldade na posição social de quem vai receber, e, lógico, no bolso de quem vai dar. Mas tenho observado que não é bem assim.
É só prestar atenção quando fizer sua lista. De um lado a coluna dos nomes. Essa é fácil. Na hora de escrever o que vamos dar e para quem, a dificuldade aparece. Repare. Por que para uns é mais fácil? O que faz a diferença? Não vai ser preciso pensar muito. A resposta logo aparecerá.
É mais fácil presentear quem sabe receber. Seja um simples marcador de livro ou uma peça de grife, a alegria e a satisfação, emanam espontaneamente de quem recebe.
Já, para alguns, parece que nada agrada. Esses vão nos fazer andar por horas no shopping. Repare novamente e verá que vai se sentir cumprindo uma obrigação.
Assim também acontece nos relacionamentos. Em todos os níveis. Amoroso, de amizade, profissional, familiar.
Li, não lembro bem onde, que o elogio é uma forma de controle. Na época parei prá pensar e até concordei. Realmente há muitas maneiras de se exercer controle e o elogio “pode” ser uma delas, mas não necessariamente ser usado sempre com essa intenção. Elogiar é uma coisa boa, prá quem faz e prá quem recebe e, desde que feito com honestidade, é um presente e tanto...
Todo mundo gosta de receber um elogio. Infelizmente nem todos sabem.
Quer um exemplo? Encontrei uma amiga e disse-lhe o quanto seu corte de cabelo estava bonito (de fato, estava mesmo). Como resposta ouvi uma ladainha sobre o quanto lhe custou em tempo e dinheiro no salão de beleza. Vou pensar duas vezes antes de elogiá-la novamente, afinal, o que eu esperava era apenas um “obrigada” ou um sorriso de satisfação. Essa é uma situação banal, mas há infinitas possibilidades de se perder dádivas importantes. Quando precisamos desabafar, contar tristezas ou alegrias, e buscamos alguém que nos ouça, estamos dando a essa pessoa o privilégio de compartilhar momentos significativos para nós. Só que, as vezes, parece que falamos com um ser inanimado. Esses, que não sabem ouvir, não mais serão merecedores de fazer parte da nossa história.
E tem aquela situação em que buscamos um ombro para chorar os erros cometidos. E o que recebemos é uma enxurrada de críticas. Pessoas assim ficarão sempre com os ombros leves mas estarão sozinhos. Desses a gente foge.
Pense em quantas coisas boas você deixou de ganhar: flores, presentes, convites, atenção, paciência, amor, amizade, afeto...veja se nã colaborou para perdê-las.
Ainda é tempo de resgatá-las.
Seja continente. Abrace com carinho tudo de bom que receber.
Seja também conteúdo porque , se saber receber é bom, melhor deve ser, dar.
Quer se manifestar sobre esse tema? Tem algo a dizer?
Fale...Não cale!
Sonia Rocha

19 setembro, 2009

POSSIBILIDADES


Um amigo meu costuma jogar na loteria, religiosamente, todas as semanas. Diz ele que joga apenas para ter a possibilidade de ganhar.
Estranha colocação. Parei para pensar sobre o significado do que quer dizer quando fala em possibilidade.
Todos nós fazemos algo para ter a possibilidade de um retorno, ou não?
Certamente que sim. Lembro-me da velha máxima “nós colhemos tudo que plantamos”.
Se estou só, querendo um novo relacionamento amoroso, saio em busca. Entro na Internet, cadastro-me nos sites de relacionamento, entro em salas de bate-papo, conheço pessoas. Abro um leque de possibilidades. A chance de encontrar alguém que preencha minhas expectativas pode variar de 1 a 100% mas não é isso que me impulsiona...é a possibilidade de acontecer o encontro.
Se meu amigo nunca jogasse, a possibilidade de ganhar seria nula.
Assim acontece com a vida de muitas pessoas. Querem o prêmio sem entrar na competição.
Acreditar nas possibilidades é arriscar-se. Ganhar ou perder.
Atualmente há uma enxurrada de literatura de auto-ajuda dizendo que o pensamento positivo atrai o resultado positivo. Eu confesso que ainda não consegui ter o meu tão sonhado iate, mesmo olhando pra ele todos os dias e dizendo a mim mesma que já o possuo. Eu o vejo de minha varanda, já que moro em frente ao Iate Clube. Será que acredito que posso realmente tê-lo? Ou será que sou movida pela fantasia da possibilidade de possuí-lo? Talvez seja uma forma de tornar minha vida mais emocionante. Deixar o imaginário colorir o que ainda está sem cor...
Possibilidades, no plural...porque nunca há apenas uma.
Agora posso entender melhor meu amigo. E concordar com ele.
É preciso jogar sempre...Será um exercício fantástico para aprendermos a viver com qualquer resultado das possibilidades que se abrem a nossa frente.
Se você já pensou sobre isso, se concorda ou não...
FALE...NÃO CALE!
Sonia Rocha

16 setembro, 2009

Odeio mentira!


Não saiu no jornal, nem na televisão. O assunto não é notícia. Só resolvi escrever sobre esse tema porque sempre me chamou a atenção o fato de, sem exceção, as pessoas falarem que odeiam mentira. Como se nunca mentissem. Se alguém disser que nunca mentiu, estará mentindo. Isso é verdade.
Mas, por que as pessoas mentem? Em primeiro lugar porque mentir é uma necessidade social. Em segundo lugar, porque seria impossível falar sempre só a verdade. A mentira tem várias funções. Preservar, encobrir, prejudicar, manter status, enfim, sempre haverá um "bom" motivo que a justifique. Também há muitos tipos de mentira: as pequenas (quase inofensivas), as médias e as grandes. O que elas têm em comum? Todas são perigosas, principalmente para o mentiroso. Ser pego numa mentira é humilhante. Mentir é criar uma situação que não existe. Por isso, manter uma mentira vai exigir muita atenção e criatividade. Vai gerar muita tensão e medo. A mentira é como uma bola de neve, quando dispara ninguém segura, e só aumenta, até se esborrachar, quando a verdade aparece. E sempre aparece. Cedo ou tarde. Mentir gera culpa e sentir culpa é destrutivo para a auto-estima. A única coisa que ameniza o culpado é a penitência. Isso explica porque a bola de neve sempre arrebenta. O mentiroso dá os sinais e espera pelo castigo. Aliviado, poderá mentir outras vezes. Esconder a verdade também é uma forma de mentir. Eu, particularmente, considero a omissão uma forma de mentira. Das piores. Cruel mesmo. Explico. Uma mentira elaborada se transforma (até que seja descoberta), em verdade. Quem a ouve pode acreditar e assim, fechar uma situação. Na omissão, o imaginário vai longe, corroendo por dentro, aquele que espera ouvir a verdade. Isso é muito comum nos casos de infidelidade. Geralmente quem trai sente tanta culpa pela traição em si que não consegue nem sustentar uma mentira, então prefere calar, omitir. O outro que imagine o que quiser. Isso não é pior?
A realidade é que ninguém admite que faz uso da mentira.
E daí? Você deve estar se perguntando o que eu pretendi escrevendo sobre isso. Talvez redimir os mentirosos. Afinal, será que alguém vai se atrever a falar a verdade sobre meu blog?
Abordei aqui, apenas um aspecto do ato de mentir. O trivial, a mentira de cada dia, mas há mentiras capazes de destruir uma nação. E também há os mentirosos compulsivos. E tem muito mais sobre esse tema no site http://pessoas.hsw.uol.com.br/mentira3.htm.
Vai lá...depois dê seu depoimento aqui.
Fale...Não cale!
Sonia Rocha



08 setembro, 2009

SERÁ QUE UM DIA ESSE NOVO TEMPO CHEGARÁ?

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