Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

NOITE DE LUA CHEIA...Elucubrações na madrugada!

Assim, meus pensamentos invadem meus sentimentos que se esvaem, saindo pelos poros e dissipando-se no vazio existencial...
Assim , minhas preocupações  saturam meus dias e noites, impedindo a superação e a transcendência para as ocupações mundanas...
Assim, a esperança hesita em se manter, escapando sorrateira, sendo recapturada e novamente esgueirando-se numa fuga sem destino, indo e voltando ao mesmo e único ponto...
Assim, como barcos ancorados, presos, amordaçados, mantendo movimentos e sons que nada consegue impedir...
Assim, como a natureza não reage, apenas devolve, sem desviar do próprio ciclo, sem apontar dedos acusadores, cantando um canto lamentoso quando ferida...
Assim, como um pássaro se sustenta no ar, sem projetos de engenharia, sabendo o rumo do seu vôo, sem equipamentos de navegação aérea, desafiando a lei da gravidade...
Assim, como eu, noite adentro, insone, cansada, pensando em você, querendo te amar e ser amada, vendo a vida acelerada em ritmo frenético, sabendo que o fim não tarda...
Assim...o tempo se esvai como fumaça e você não vê, cego que está, que a hora é rápida, a vida é breve , mas o amor é eterno...
Sonia Rocha
Junho/2011

Domingo, Agosto 28, 2011


O Destino* decide quem vamos encontrar na Vida... as Atitudes** decidem quem fica ..."

*Destino: você acredita em Destino? Eu, particularmente, acrdito que, em 90% das vezes,  somos os responsáveis pelo nosso destino. Os 10% deixo por conta das minhas crenças pessoais que não vem ao caso expor. São nossas escolhas que definem nosso destino.

** Atitudes: podem ser modificadas de acordo com a nossa vontade. Depende sempre da relação ganho/perda. Alguém que deixa de fumar para manter a saúde, provavelmente o fez dentro desse parâmetro.  Perguntou-se: "o que é mais importante, fumar ou manter a saúde?" E fez sua escolha. A escolha parece óbvia, mas há quem prefira continuar fumando. Mais adiante vão entender porque usei este exemplo.   

É evidente que não é assim tão simples. Atitudes se tornam hábitos e esses não são fáceis de mudar. Mas qualquer mudança sempre será baseada nesse binômio ganho/perda. 

O que vejo nas relações afetivas é que os dois pratos da balança, geralmente se equiparam. Os famosos   relacionamentos tipo "bumerangue" ou, pior, relacionamentos destrutivos que só terminam com a morte de um dos cônjuges, demonstram perfeitamente o que quero dizer . Num momento, deixar o (a) parceiro (a) parece ser a melhor escolha. Feito essa, o outro prato, começa a ficar mais forte e pesado. Se já atravessou a porta de saída, volta. Ou  prefere continuar vivendo um relacionamento falido. Não é fato consumado que a escolha sempre recai no que é (ou parece ser) a mais saudável. 
Ninguém gosta de perder. Por isso é tão dificil escolher. Na verdade, a dificuldade não está em escolher e sim em assumir o resultado de nossas escolhas. 

Veja um exemplo bem elementar: diante de vários quitutes, num restaurante por kilo, quantas vezes não ouvimos alguém dizer "o difícil é escolher". Não dá para encher o prato com tudo que nos enche os olhos. Se fizermos isso, fatalmente vamos ter um péssimo resultado digestivo. 

Em outras palavras, "não podemos ter tudo que queremos".

É claro que isso não se aplica aos casos de "dependência", seja física ou emocional. Aí já entramos num território mais complicado que envolve "doença" e requer tratamento. 

Acreditar que o Destino age sem a nossa participação, é muito cômodo. 

É embarcar e deixar o vento nos levar para o porto que quiser. Mas quem não sabe para aonde ir também não sabe aonde quer chegar. Para deixar que o Destino trace nossos caminhos não precisamos de atitude alguma. Portanto...faça sua escolha! 
Sonia Rocha - Mercuriana 

Segunda-feira, Novembro 15, 2010

RAZÃO OU EMOÇÃO?

Se você tem uma caixa de correio eletrônico, provavelmente já recebeu . Para quem não recebeu, funciona assim: as palavras são escritas com as letras desordenadas e isso não impede que nosso cérebro as processe corretamente. Exemplo: “não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso”...Deu prá entender? A explicação é que não lemos as letras isoladamente e sim a palavra como um todo. Veja o texto aqui, é bem interessante.
Se conseguimos que nosso cérebro perceba a desordem de simples palavras, fiquei a imaginar porque é tão difícil fazer isso com nossos pensamentos. Pensamentos originam sentimentos e vice-versa, e ambos, são frutos de nossos desejos, nossas aspirações e inspirações, de nossas interações com o mundo externo. Conceitos e contextos se juntam num emaranhado que o cérebro nem sempre consegue separar e nos dar a leitura correta de dados e fatos que nos chegam embaralhados e sem sentido.  
Humanos têm uma tendência de usar mais a emoção. E ai de quem se apega mais à razão. De um modo geral, se choramos com facilidade, se rimos à toa,ou até quando parecemos meio idiotas, somos vistos como pessoas sensíveis, admiráveis, agradáveis. Quem se apresenta mais racional, demonstrando raciocínio lógico, é rotulado de insensível, frio, sistemático...e isso não é elogio.
Nos relacionamentos interpessoais é muito comum não se perceber claramente quando a situação pede a emoção ou a razão. As mensagens que recebemos ou transmitimos requerem um contexto objetivo, o que nem sempre ocorre. A bagunça na transmissão de mensagens é geradora de muitos conflitos que poderiam ser evitados se conseguíssemos equilibrar os pratos da balança. Razão e Emoção na mesma proporção.
Quer um exemplo? Tente dizer ao seu funcionário que aquele serviço feito precisa ser refeito. Se ele conseguir usar a razão na mesma proporção da emoção, certamente ficará chateado por não ter sido assertivo no trabalho que fez, mas fará um esforço para reconhecer que poderia ter feito melhor, e fará de bom grado. Geralmente não é assim. O sujeito fica ressentido, achando que está sendo perseguido, que o chefe é um chato, etc... 

Nas relações que envolvem intimidade, sejam de amizades ou amorosas, a confusão é ainda maior e mais nociva. Quantos relacionamentos terminam porque a mensagem não foi decifrada como deveria. Entendida fora do contexto, a razão foi pro espaço. Predominou a emoção.
O princípio da fofoca é esse desiquilíbrio entre o real (racional) e o imaginário (emocional).
Ouvimos uma informação, processamos e repassamos. Raramente isso acontece sem que haja uma interferência maior do nosso emocional. Seja uma entonação de voz, um sorriso, uma testa franzida, qualquer modificação na transmissão da mensagem pode colocá-la em outro contexto que não o original.

Lembro-me de uma historinha que li, ainda menina. Uma lenda inspirada no conto “As sete pombas brancas” de Khalil Gibran. No início a narrativa descreve sete pombas branca voando, que, depois de repassada várias vezes, termina dizendo que eram sete pombas negras. Leia a lenda na íntegra aqui. Não devemos ser muito emocionais nem muito racionais porque, se o cérebro pode nos dar a dimensão exata do fato, e o coração a capacidade de absorvê-lo com sentimento, que isso aconteça equilibradamente. Algo nada fácil.

Sonia Rocha - Mercuriana 
 

Segunda-feira, Novembro 01, 2010

A arte de Não Ouvir...

Quem me acompanha deve ter lido alguns textos que publiquei, de outros autores, sobre a difícil tarefa de aprender a ouvir. Veja aqui e aqui.  
Veio-me então a idéia de discorrer sobre a não menos difícil tarefa de aprender a não ouvir. 
O que me fez pensar sobre isso foi um texto que relata um diálogo de Sócrates onde ele fala sobre o Triplo Filtro: Verdade, Bondade e Utilidade. Para quem não conhece, clique aqui. 

 Tive um professor de Antropologia,( avesso a tudo que se esperava de um professor de Antropologia), que dizia: “nossos ouvidos estão na mesma direção para facilitar a saída do que entra”. Em outras palavras, o famoso dito “entrar por um ouvido e sair pelo outro”. Logicamente, referindo-se a tudo que não nos acresce conhecimento, sabedoria, evolução. 

Tudo junto e misturado, cheguei a algumas conclusões. 
- Nem sempre podemos impedir que nos falem o que não nos interessa.  
- Nem sempre é possível interromper e usar o método Socrático.  
- E, muitas vezes, o que ouvimos toma outro caminho, que não a linha reta que faria a “informação” sair pelo outro lado.  
Então, o que acontece? 
O que ouvimos pode subir ou descer. Instalar-se na razão ou na emoção. Ou pior, ficar gravitando entre as duas instâncias. Adentramos um labirinto cuja saída desconhecemos e não há nenhum Teseu, ou GPS que possa nos ajudar. Instala-se um trânsito caótico e nos vemos presos num engarrafamento sem placas indicativas. 
A isso eu chamo de “engolir sapo”. E todos sabem, sapo é um bicho venenoso. 
O que fazer? 
Procure um desvio. Olhe pro céu e elogie o sol, ou a chuva...Estoure uma bola de chiclete e peça desculpas. Pegue o celular e finja que está recebendo uma ligação de alguém que tem o plano Infinity da Tim. Saia correndo para o banheiro e demore até que a pessoa venha bater na porta prá saber se você ainda está vivo. 
Se nada disso der resultado, perca o decoro, deixe a educação de lado, tape os ouvidos (os dois) e cante...lá...lá...lá...lá...Ou, se for alguém muito importante em sua vida, dê-lhe um beijo na boca... 
Provavelmente essa pessoa nunca mais vai falar com você, mas se reincidir, envie esse texto prá ela...  
Só não esqueça de citar a fonte e a autoria... 

Sonia Rocha - Mercuriana 

Quarta-feira, Outubro 13, 2010

O trote (só para descontrair)

Luiz “ O Pestinha ”,  era a própria reencarnação do  Pimentinha.  Sim, aquele personagem de um gibi, criado no final da década de 40 e transformado em filme  quase 50 anos depois.
Bem, esse era o Luiz  “ O Famoso ”. Seu passatempo preferido era passar trote pelo telefone.
Ligava para os bombeiros gritando “Socorro”. Com sua voz de criança, sempre conseguia seu intento – ser o alvo desconhecido das preocupações alheias.
Um dia, disse para um amiguinho:
- Hoje vou ligar para o Superman. Se você quiser falar com ele, vá à minha casa depois do almoço.
Jr. “ O Amiguinho ”, ficou eufórico. Nem almoçou direito. Saiu da mesa direto para a casa do Luiz “ O Importante”, a quem já idolatrava, mais ainda agora, sabendo que ele era amigo do Superman.
Luiz  “ O Esperto ”,  discou um número qualquer. Do outro lado da linha, uma voz metálica atendeu:
“ Você ligou para a residência de Clark Kent. Não precisa deixar recado. Em minutos ele irá, pessoalmente, ouvir o que você tem a dizer-lhe ”.
Luiz “ O Apavorado”, largou o fone como se fosse um ferro em brasa a queimar-lhe as mãos.
Deu um pulo para trás e correu para a janela, olhando o céu com os olhos arregalados.
Jr “ O Bobinho ”, não entendeu nada. Apenas seguiu seu “herói”, correndo para a outra janela,  olhando fixo para o céu, sem nem mesmo imaginar o que deveria ver.
E assim passaram a tarde...esperando pela visita do Superman... 

Mercuriana - Sonia Rocha

Segunda-feira, Outubro 11, 2010

Solidão e Internet

Há quem diga que a solidão é péssima companhia. Concordo.
Outros acham que a solidão é necessária para crescermos. Concordo.
“Solidão? Não existe. Nunca estamos sós”. Concordo.
“Antes só do que mal acompanhado”. Concordo.
“Antes mal acompanhado do que só”. Concordo.
Blá...blá...blá.... Concordo.
Como podem ver, sou uma pessoa cordata.
Na verdade, aceitar tudo que se fala sobre solidão, me transformou. Hoje tento aceitar a verdade de cada um, sem discordar. Porém, mantenho a minha sob sigilo porque não tenho mais paciência nem vontade de me expor. O que penso, guardo.
Meu sonho acalentado era uma máquina de escrever sobre uma mesa embaixo de uma janela aberta para o oceano. Passaria os dias catando as letras, transformando-as em palavras e costurando idéias.  Olhando a cor do mar para adivinhar a cor do céu. Cinzento, azul, branco, vermelho. Queria criar histórias. Traduzir minhas fantasias em linguagem compreensível.  
A máquina do tempo modificou alguns detalhes. Hoje compartilho todos os meus momentos com  meu editor de texto e com as palavras que digito. Eu, meu teclado, meu monitor e um emaranhado de cabos e fios que teimam em me chamar à razão quando resolvem me desconectar  do mundo lá fora.
É verdade que  conheço uma grande variedade de pessoas através da telinha. Mas, quando o corpo cansado e dolorido por tanto tempo sentada  me faz apertar o botão off, o vazio se instala...e a solidão me invade.
Assim é a Internet.
Um mundo virtual que, raramente nos transporta para um mundo real.
Conheço casos de amizades e amores conquistados e vivenciados a partir de encontros virtuais. Mas é raro, considerando-se a proporção das desilusões. Basta ver sua lista de “amigos”. Com quantos você mantém contato? Veja seu MSN, seu Orkut, seu Badoo, seu Facebook...e outros que eu desconheço...quantas pessoas estão lá e com quantas  você fala ou manda uma mensagem pessoal? Na maioria das vezes, recebe um arquivo repassado, sem nome de destinatário e, quase automaticamente, faz o mesmo, repassando para todos...
Se isso não é solidão...então não sei mais o que é.
Mercuriana - Sonia Rocha