Se você tem uma caixa de correio eletrônico, provavelmente já recebeu . Para quem não recebeu, funciona assim: as palavras são escritas com as letras desordenadas e isso não impede que nosso cérebro as processe corretamente. Exemplo: “não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso”...Deu prá entender? A explicação é que não lemos as letras isoladamente e sim a palavra como um todo. Veja o texto aqui, é bem interessante.
Se conseguimos que nosso cérebro perceba a desordem de simples palavras, fiquei a imaginar porque é tão difícil fazer isso com nossos pensamentos. Pensamentos originam sentimentos e vice-versa, e ambos, são frutos de nossos desejos, nossas aspirações e inspirações, de nossas interações com o mundo externo. Conceitos e contextos se juntam num emaranhado que o cérebro nem sempre consegue separar e nos dar a leitura correta de dados e fatos que nos chegam embaralhados e sem sentido.
Humanos têm uma tendência de usar mais a emoção. E ai de quem se apega mais à razão. De um modo geral, se choramos com facilidade, se rimos à toa,ou até quando parecemos meio idiotas, somos vistos como pessoas sensíveis, admiráveis, agradáveis. Quem se apresenta mais racional, demonstrando raciocínio lógico, é rotulado de insensível, frio, sistemático...e isso não é elogio.
Nos relacionamentos interpessoais é muito comum não se perceber claramente quando a situação pede a emoção ou a razão. As mensagens que recebemos ou transmitimos requerem um contexto objetivo, o que nem sempre ocorre. A bagunça na transmissão de mensagens é geradora de muitos conflitos que poderiam ser evitados se conseguíssemos equilibrar os pratos da balança. Razão e Emoção na mesma proporção.
Quer um exemplo? Tente dizer ao seu funcionário que aquele serviço feito precisa ser refeito. Se ele conseguir usar a razão na mesma proporção da emoção, certamente ficará chateado por não ter sido assertivo no trabalho que fez, mas fará um esforço para reconhecer que poderia ter feito melhor, e fará de bom grado. Geralmente não é assim. O sujeito fica ressentido, achando que está sendo perseguido, que o chefe é um chato, etc...
Nas relações que envolvem intimidade, sejam de amizades ou amorosas, a confusão é ainda maior e mais nociva. Quantos relacionamentos terminam porque a mensagem não foi decifrada como deveria. Entendida fora do contexto, a razão foi pro espaço. Predominou a emoção.
O princípio da fofoca é esse desiquilíbrio entre o real (racional) e o imaginário (emocional).
Ouvimos uma informação, processamos e repassamos. Raramente isso acontece sem que haja uma interferência maior do nosso emocional. Seja uma entonação de voz, um sorriso, uma testa franzida, qualquer modificação na transmissão da mensagem pode colocá-la em outro contexto que não o original.
Lembro-me de uma historinha que li, ainda menina. Uma lenda inspirada no conto “As sete pombas brancas” de Khalil Gibran. No início a narrativa descreve sete pombas branca voando, que, depois de repassada várias vezes, termina dizendo que eram sete pombas negras. Leia a lenda na íntegra aqui. Não devemos ser muito emocionais nem muito racionais porque, se o cérebro pode nos dar a dimensão exata do fato, e o coração a capacidade de absorvê-lo com sentimento, que isso aconteça equilibradamente. Algo nada fácil.
Sonia Rocha - Mercuriana
Criei esse blog em Setembro de 2009 com a intenção de manter um canal aberto para quem quisesse se manifestar sobre fatos do cotidiano, aqueles que nos incomodam. A idéia era "botar a boca no trombone". Fiz isso nos posts iniciais. Aos poucos fui modificando o perfil e acabei por transformar minhas broncas em reflexões pessoais. Hoje escrevo sobre variedades, sempre sob minha ótica. Mas o espaço continua aberto para quem não quiser calar...
15 novembro, 2010
01 novembro, 2010
A arte de Não Ouvir...
Quem me acompanha deve ter lido alguns textos que publiquei, de outros autores, sobre a difícil tarefa de aprender a ouvir. Veja aqui e aqui.
Veio-me então a idéia de discorrer sobre a não menos difícil tarefa de aprender a não ouvir.
O que me fez pensar sobre isso foi um texto que relata um diálogo de Sócrates onde ele fala sobre o Triplo Filtro: Verdade, Bondade e Utilidade. Para quem não conhece, clique aqui.
Tive um professor de Antropologia,( avesso a tudo que se esperava de um professor de Antropologia), que dizia: “nossos ouvidos estão na mesma direção para facilitar a saída do que entra”. Em outras palavras, o famoso dito “entrar por um ouvido e sair pelo outro”. Logicamente, referindo-se a tudo que não nos acresce conhecimento, sabedoria, evolução.
Tudo junto e misturado, cheguei a algumas conclusões.
- Nem sempre podemos impedir que nos falem o que não nos interessa.
- Nem sempre é possível interromper e usar o método Socrático.
- E, muitas vezes, o que ouvimos toma outro caminho, que não a linha reta que faria a “informação” sair pelo outro lado.
Então, o que acontece?
O que ouvimos pode subir ou descer. Instalar-se na razão ou na emoção. Ou pior, ficar gravitando entre as duas instâncias. Adentramos um labirinto cuja saída desconhecemos e não há nenhum Teseu, ou GPS que possa nos ajudar. Instala-se um trânsito caótico e nos vemos presos num engarrafamento sem placas indicativas.
A isso eu chamo de “engolir sapo”. E todos sabem, sapo é um bicho venenoso.
O que fazer?
Procure um desvio. Olhe pro céu e elogie o sol, ou a chuva...Estoure uma bola de chiclete e peça desculpas. Pegue o celular e finja que está recebendo uma ligação de alguém que tem o plano Infinity da Tim. Saia correndo para o banheiro e demore até que a pessoa venha bater na porta prá saber se você ainda está vivo.
Se nada disso der resultado, perca o decoro, deixe a educação de lado, tape os ouvidos (os dois) e cante...lá...lá...lá...lá...Ou, se for alguém muito importante em sua vida, dê-lhe um beijo na boca...
Provavelmente essa pessoa nunca mais vai falar com você, mas se reincidir, envie esse texto prá ela...
Só não esqueça de citar a fonte e a autoria...
Sonia Rocha - Mercuriana
Veio-me então a idéia de discorrer sobre a não menos difícil tarefa de aprender a não ouvir.
O que me fez pensar sobre isso foi um texto que relata um diálogo de Sócrates onde ele fala sobre o Triplo Filtro: Verdade, Bondade e Utilidade. Para quem não conhece, clique aqui.
Tive um professor de Antropologia,( avesso a tudo que se esperava de um professor de Antropologia), que dizia: “nossos ouvidos estão na mesma direção para facilitar a saída do que entra”. Em outras palavras, o famoso dito “entrar por um ouvido e sair pelo outro”. Logicamente, referindo-se a tudo que não nos acresce conhecimento, sabedoria, evolução.
Tudo junto e misturado, cheguei a algumas conclusões.
- Nem sempre podemos impedir que nos falem o que não nos interessa.
- Nem sempre é possível interromper e usar o método Socrático.
- E, muitas vezes, o que ouvimos toma outro caminho, que não a linha reta que faria a “informação” sair pelo outro lado.
Então, o que acontece?
O que ouvimos pode subir ou descer. Instalar-se na razão ou na emoção. Ou pior, ficar gravitando entre as duas instâncias. Adentramos um labirinto cuja saída desconhecemos e não há nenhum Teseu, ou GPS que possa nos ajudar. Instala-se um trânsito caótico e nos vemos presos num engarrafamento sem placas indicativas.
A isso eu chamo de “engolir sapo”. E todos sabem, sapo é um bicho venenoso.
O que fazer?
Procure um desvio. Olhe pro céu e elogie o sol, ou a chuva...Estoure uma bola de chiclete e peça desculpas. Pegue o celular e finja que está recebendo uma ligação de alguém que tem o plano Infinity da Tim. Saia correndo para o banheiro e demore até que a pessoa venha bater na porta prá saber se você ainda está vivo.
Se nada disso der resultado, perca o decoro, deixe a educação de lado, tape os ouvidos (os dois) e cante...lá...lá...lá...lá...Ou, se for alguém muito importante em sua vida, dê-lhe um beijo na boca...
Provavelmente essa pessoa nunca mais vai falar com você, mas se reincidir, envie esse texto prá ela...
Só não esqueça de citar a fonte e a autoria...
Sonia Rocha - Mercuriana
13 outubro, 2010
O trote (só para descontrair)
Luiz “ O Pestinha ”, era a própria reencarnação do Pimentinha. Sim, aquele personagem de um gibi, criado no final da década de 40 e transformado em filme quase 50 anos depois.
Bem, esse era o Luiz “ O Famoso ”. Seu passatempo preferido era passar trote pelo telefone.
Ligava para os bombeiros gritando “Socorro”. Com sua voz de criança, sempre conseguia seu intento – ser o alvo desconhecido das preocupações alheias.
Um dia, disse para um amiguinho:
- Hoje vou ligar para o Superman. Se você quiser falar com ele, vá à minha casa depois do almoço.
Jr. “ O Amiguinho ”, ficou eufórico. Nem almoçou direito. Saiu da mesa direto para a casa do Luiz “ O Importante”, a quem já idolatrava, mais ainda agora, sabendo que ele era amigo do Superman.
Luiz “ O Esperto ”, discou um número qualquer. Do outro lado da linha, uma voz metálica atendeu:
“ Você ligou para a residência de Clark Kent. Não precisa deixar recado. Em minutos ele irá, pessoalmente, ouvir o que você tem a dizer-lhe ”.
Luiz “ O Apavorado”, largou o fone como se fosse um ferro em brasa a queimar-lhe as mãos.
Deu um pulo para trás e correu para a janela, olhando o céu com os olhos arregalados.
Jr “ O Bobinho ”, não entendeu nada. Apenas seguiu seu “herói”, correndo para a outra janela, olhando fixo para o céu, sem nem mesmo imaginar o que deveria ver.
E assim passaram a tarde...esperando pela visita do Superman...
Mercuriana - Sonia Rocha
11 outubro, 2010
Solidão e Internet
Outros acham que a solidão é necessária para crescermos. Concordo.
“Solidão? Não existe. Nunca estamos sós”. Concordo.
“Antes só do que mal acompanhado”. Concordo.
“Antes mal acompanhado do que só”. Concordo.
Blá...blá...blá.... Concordo.
Como podem ver, sou uma pessoa cordata.
Na verdade, aceitar tudo que se fala sobre solidão, me transformou. Hoje tento aceitar a verdade de cada um, sem discordar. Porém, mantenho a minha sob sigilo porque não tenho mais paciência nem vontade de me expor. O que penso, guardo.
Meu sonho acalentado era uma máquina de escrever sobre uma mesa embaixo de uma janela aberta para o oceano. Passaria os dias catando as letras, transformando-as em palavras e costurando idéias. Olhando a cor do mar para adivinhar a cor do céu. Cinzento, azul, branco, vermelho. Queria criar histórias. Traduzir minhas fantasias em linguagem compreensível.
A máquina do tempo modificou alguns detalhes. Hoje compartilho todos os meus momentos com meu editor de texto e com as palavras que digito. Eu, meu teclado, meu monitor e um emaranhado de cabos e fios que teimam em me chamar à razão quando resolvem me desconectar do mundo lá fora.
É verdade que conheço uma grande variedade de pessoas através da telinha. Mas, quando o corpo cansado e dolorido por tanto tempo sentada me faz apertar o botão off, o vazio se instala...e a solidão me invade.
Assim é a Internet.
Um mundo virtual que, raramente nos transporta para um mundo real.
Conheço casos de amizades e amores conquistados e vivenciados a partir de encontros virtuais. Mas é raro, considerando-se a proporção das desilusões. Basta ver sua lista de “amigos”. Com quantos você mantém contato? Veja seu MSN, seu Orkut, seu Badoo, seu Facebook...e outros que eu desconheço...quantas pessoas estão lá e com quantas você fala ou manda uma mensagem pessoal? Na maioria das vezes, recebe um arquivo repassado, sem nome de destinatário e, quase automaticamente, faz o mesmo, repassando para todos...
Se isso não é solidão...então não sei mais o que é.
Mercuriana - Sonia Rocha
Mercuriana - Sonia Rocha
01 agosto, 2010
Ver ou não ver?
Mais uma tentativa de poetar...
Vejo suas coisas pela casa...os chinelos, roupas, a escova de dentes...o quarto ainda guarda seu perfume, lembrando que dormistes aqui na noite passada. Vejo suas coisas pela casa... uma sensação de perda, de vazio impreenchível ( nem sei se a palavra existe) preenche os meus “espaços”. Dor pulsante... como ponteiros que marcam segundos...latejante mas suportável... Retorno no tempo...lembranças.
Crio e recrio teorias, explicações para este presente.
Será um Presente???!!!
Vejo duas neuroses se encontrando, se complementando, simbiose...
Vejo o tempo passando...passando! Não dá para não crescer. Não dá para se apoiar em neurose alheia por muito tempo. Abandonar essa neurose é ficar sem apoio...ficar sem história ...é deixar de ser...é não ser.
Então fica-se...até que num movimento de vai e vem... substituições se revelem... Novos interesses...novos amores...novas neuroses... Ou... nova pessoa...dês-necessitada de muletas, bengalas, cabides... Uma nova pessoa apaixonada...por si mesma, sem egoísmos, sem culpas... Sem a antiga neurose (que outras virão)... a antiga complementação se vai... Se esvaindo no tempo...na lembrança... Tornando-se uma memória histórica...como patrimônio da humanidade...
Porque somos humanos...
Sonia Rocha - Mercuriana
29 julho, 2010
Quando o escuro fica claro
Luiz Alca de Sant'ana
http://www.luizalca.pro.br/index.php
postado por Sonia Rocha
Mercuriana
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